Agência Brasil - Latest News Tracking & Analysis


Latest News Politics , Business , Finance , Technology , World News & Opinion & Tracking & Analysis.

Brazil
Website
🌐 portuguese
World
#253
Agência Brasil

Agência Brasil

Primary focus: World


Recent Reportage

Latest coverage from Agência Brasil

Ministério Público processa empresas por escaneamento de íris

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou nesta segunda-feira (21) uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. por irregularidades na coleta de dados biométricos de íris de consumidores paulistanos. A promotoria pede, em caráter liminar, a preservação de todos os dados, registros e metadados relacionados ao processamento dessas informações, a apresentação de contratos e relatórios técnicos sobre seu armazenamento. Notícias relacionadas:Ministério Público faz operação em SP contra PCC e tribunais do crimes.Ministério Público de SP denuncia quatro pessoas por morte em salto .Ministério Público fará campanha contra assédio eleitoral neste ano.A promotora de Justiça responsável pela ação, Patrícia Leitão, solicita ainda a identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem dos dados e a suspensão de novas coletas de íris mediante qualquer tipo de pagamento ou benefício até a realização de perícia judicial. Para a promotora, o quadro caracteriza publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento. A coleta desses dados era feita especialmente em pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mediante oferta de compensação financeira e concentrada em regiões periféricas e de grande circulação, próximas a estações de metrô e unidades do Poupatempo. “A ação requer ainda que as práticas sejam declaradas abusivas, que as rés sejam proibidas definitivamente de coletar dados biométricos de íris mediante contrapartida financeira, eliminem de forma irreversível os dados já coletados, indenizem a coletividade em ao menos R 240 milhões por danos morais e reparem os prejuízos individuais causados aos consumidores”, informou o MPSP. Segundo o MPSP, a empresa manteve a prática por meio da concessão de benefícios internos no aplicativo World App mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão da oferta de criptomoedas ou de qualquer compensação financeira pela coleta da íris. “A Promotoria sustenta também que os consumidores não receberam informações claras sobre a finalidade econômica do projeto, os riscos relacionados ao tratamento dos dados biométricos, sua transferência para o exterior e a possibilidade de armazenamento dessas informações em servidores da Amazon Web Services”, explicou o MPSP. A ação tem origem no relatório final da CPI da Íris, da Câmara Municipal de São Paulo, que investigou a atuação do Projeto World ID na capital paulista. Segundo a apuração, mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada em troca de recompensas financeiras que variavam entre R 300 e R 700.

2 hours ago

Primeiros poemas da juventude já revelavam grandeza de Orides Fontela

Escritora homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) neste ano, Orides Fontela já era uma grande poeta quando ainda escrevia os primeiros versos na adolescência, em São João da Boa Vista, no interior paulista. Os poemas daquela época também revelavam o que se tornaria uma marca em sua obra: concisão e rigor na linguagem que davam conta de reflexões profundas. O poema Elegia, publicado no jornal local O Município, no ano de 1965, chamou a atenção de Davi Arrigucci Jr., conterrâneo de Orides que, na época, estudava letras. Atualmente, ele é crítico literário e professor aposentado de teoria literária da Universidade de São Paulo (USP). Ele incentivou Orides a reunir os poemas em livro e a se mudar para a capital paulista. Notícias relacionadas:Flip celebra legado de Orides Fontela com lançamento de obras inéditas.Ativista Angela Davis é destaque na programação do Sesc na Flip.Flip anuncia Orides Fontela como autora homenageada de 2026.“Ele encontrou com Orides, casualmente, ali na cidade e falou: ‘Você tem mais coisa? Deixa eu ver’. E ela mostrou uma pasta de poemas dela. Ele achou aquilo muito bom, levou para São Paulo e deu na mão de críticos”, contou Cristina Yamazaki, editora da Hedra, que trabalhou na recente reedição das obras da poeta. Desde o início de sua carreira, Orides teve entusiastas como o crítico literário Antonio Candido e a filósofa Marilena Chaui, que depois seria sua professora no curso de filosofia da Universidade de São Paulo (USP). Filha de um marceneiro e de uma dona de casa, Orides foi alfabetizada pela mãe. “Ela surgiu como uma poeta pronta. Ela tem cinco livros, e não é que ela tenha uma progressão entre os livros. Desde o primeiro livro, que são esses poemas de juventude, ela já era reconhecidamente uma grande poeta, apesar de não ser conhecida do grande público”, ressaltou, em entrevista à Agência Brasil. Com poucas palavras, Orides construiu poemas que carregam múltiplos significados, com densidade poética e filosófica, o que também já era reconhecido por críticos e escritores. “Antonio Candido, por exemplo, usou uma expressão que se repetiu bastante [sobre sua obra], que é ‘parcimoniosa opulência’. Ela consegue produzir muito significado com poucas palavras.” Vigésima quarta edição da Flip homenageia a poeta Orides Fontela - Foto: Fritz Nagib/Divulgação “Ela vai depurando a linguagem até chegar ao âmago da palavra, ela vai fazendo muitas experimentações até levar a gente para [uma espécie de] um núcleo do silêncio. O silêncio é muito importante na obra dela. Ele faz parte, ele também constitui os poemas”, relatou Cristina. “Ela tem um um poema tão bonito em que ela fala de saber de cor o silêncio. É isso, ela não quer profanar o silêncio com quaisquer palavras. E ela é muito precisa”, acrescentou. A formação de Orides em filosofia também é uma referência nos seus poemas. “Ela escreveu um poema chamado Kant (relido), em que ela faz uma leitura poética do Kant”, lembrou a editora. Ela ressaltou que a poesia de Orides não incorpora elementos autobiográficos, sua escrita não era voltada para uma dimensão de vida pessoal. Os livros de Orides Para celebrar a obra e o legado de Orides, haverá três lançamentos durante a Flip: de um livro de poemas da autora ilustrado para crianças e jovens, de uma coletânea inédita de escritos críticos e entrevistas, além da nova edição – revista e ampliada – da biografia da poeta, todos pela editora Hedra. Além disso, a Hedra detém os direitos das obras já publicadas da poeta e lançou nova edição de todas elas nos últimos meses. Ao longo de sua carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, que tem prefácio do crítico Antonio Candido, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia. Cristina Yamazaki conta que, além da organizadora das edições, Ieda Lebensztayn, houve um trabalho conjunto com Augusto Massi, que foi amigo e editor de Orides. “Fizemos uma pesquisa de manuscritos, datiloscritos, materiais que a gente pudesse incluir nas obras. Encontramos, por exemplo, anotações do Antonio Candido em um poema que ela incorporou depois. Ela teve leitores superespeciais.” A equipe também conseguiu imagens que não tiveram tanta circulação. Os retratos de Orides acabaram se repetindo nas divulgações, com registros especialmente da década de 1990. “Fomos atrás de coisas dela de infância, da juventude, todo todo material que pudéssemos. Mas sem carregar demais as obras porque também não são obras para críticos, é para um grande público.” Uma curiosidade é que alguns originais de Orides estavam espalhados em diversas mãos. “Isso porque, como às vezes ela não encontrava editora para publicar os poemas, ela fazia cópias e eles circulavam entre algumas pessoas. Então, algumas pessoas têm esses originais ou têm cópias”, relatou Cristina. “Cada livro dela era muito pensado, por isso que a Hedra quis fazer essas edições avulsas, que nunca mais tinham sido publicadas [desde a morte da escritora]. Só durante a vida da Orides, ela publicou esses cinco livros que tiveram circulação pequena, em edições simples”, mencionou. Após a morte da poeta, houve apenas publicações com a poesia toda reunida, diferentemente do que a própria Orides idealizou em vida. Orides Fontela publicou cinco livros ao logo da carreira - Foto: Fritz Nagib/ Divulgação Cristina ressalta que, dessa forma, é possível valorizar o modo de produção de Orides. “Cada livro dela foi muito pensado, a ordem dos poemas, as partes. Ela sempre começa com um poema que anuncia o tema daquele volume, e ela sempre termina com um poema que trata do silêncio. Isso fica mais claro quando vemos cada obra individualmente”, explicou. Para Ieda Lebensztayn, organizadora das novas edições, o poema Caleidoscópio, do livro Helianto, é central para entender a poesia e a vida de Orides. “Etimologicamente, a palavra caleidoscópio é o olhar em busca de uma forma de beleza. Kalós, como na palavra caligrafia, significa belo; eidos é forma, figura; e skopeîn, como em telescópio, denota ver, observar”, analisou. Tal definição, afirmou Ieda, é a própria ideia de poesia para Orides, feita com imagens de espelhos, estrelas, luzes e silêncios, que se organizam artisticamente e sempre se recombinam em novos versos. “Como diz Orides em entrevista a Augusto Massi, Flávio Quintiliano e José Maria Cançado: ‘E o maior bem possível foi sempre a poesia’. No contexto da entrevista, o apego de Orides à liberdade de fazer poesia tem por contraparte sua situação social precária, que fala também das dificuldades enfrentadas por intelectuais num mundo mercadológico, e aponta a dimensão ética e política da arte ante os limites da realidade”, mencionou. Homenagem da Flip Os rótulos e estereótipos atribuídos a Orides tiveram muita visibilidade, o que deixou o reconhecimento do valor literário de sua obra em segundo plano, por diversas vezes. O biógrafo da autora, Gustavo de Castro, faz essa crítica e relata que havia uma narrativa consolidada sobre Orides que deslocava o foco da poeta para uma personagem quase folclórica, descrita a partir de conflitos pessoais. Cristina Yamazaki relatou que Orides tem uma história de vida de muita restrição e de dificuldades financeiras. “Isso acabou, às vezes, ganhando mais notoriedade do que a obra dela. Acho que isso atrapalhou [um reconhecimento mais amplo], inclusive, na época. Ser mulher, poeta, pobre, não se encaixar num padrão da sociedade: isso tudo prejudicou muito ela, o que não acontecia com os homens da literatura”, disse a editora. Para Cristina, a questão de gênero foi um fator que trouxe prejuízos a Orides, no contexto do machismo. “Tem os ‘poetas malditos’ [homens] que são admirados pela obra. No caso dela, num certo momento, a imprensa deu muito foco à mitologia em torno da vida dela e não pela obra.” A decisão da curadora Rita Palmeira de homenagear Orides Fontela na edição da Flip deste ano foi celebrada entre seus admiradores e profissionais que já conhecem profundamente seu trabalho. “Foi uma escolha muito bonita para tornar a Orides conhecida, porque ela é muito conhecida entre os poetas. É como se ela fosse a poeta entre os poetas, sabe? Tem muita gente que já escreveu em homenagem a Orides”, ressaltou Cristina, citando O Nervo do Poema: Antologia para Orides Fontela (editora Relicário), que terá a segunda edição lançada durante a Flip. Confira os eventos de lançamento: - Quinta-feira (23), às 15h, na Casa Da Árvore - Lançamento de Pelos Olhos de Orides Fontela Conversa com Augusto Massi, Cynthia Cruttenden | Mediação: Cristiane Tavares - Quinta-feira (23), às 20h30, na Casa de Cultura - Ressonância Orides Lançamento da reedição do livro O Nervo do Poema: Antologia para Orides Fontela (Relicário), com presença dos poetas Marília Garcia, Prisca Agustoni, Mônica de Aquino, Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto, Tarso de Melo e Edimilson de Almeida Pereira - Sexta-feira (24), às 19h, na Casa MinC - Reeditando Orides + Sarau Orides Com Augusto Massi: as primeiras edições, Cristina Yamazaki: a reedição pela Hedra, Maíra Nassif: a recepção de Orides na Relicário, Patrícia Lavelle: poeta e pesquisadora de Orides | Mediação: Marília Garcia - Sábado (25), às 12h, na Casa De Cultura - Poesia exemplar: Orides e Brecht Conversa com Tercio Redondo e Ivan Marques, e celebração do lançamento de Conversas: Escritos e Entrevistas de Orides Fontela | Mediação: Paulo Pompermaier A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que vai até domingo (26), terá as mesas de conversa dentro da programação oficial, além de atividades gratuitas em casas parceiras e independentes, espalhadas pela cidade.

5 hours ago

Orides Fontela: a radicalidade de uma vida dedicada à poesia

A poeta Orides Fontela (1940-1998) transformou o ofício da escrita em uma forma de existência. Ela dedicou-se a pensar o poema, perseguir a palavra exata, escrever e reescrever, como se lapidasse os versos. Considerada por críticos e estudiosos uma das grandes poetas brasileiras do século 20, construiu uma obra marcada pela precisão da linguagem e pela densidade filosófica. O resultado é uma obra poética marcada por originalidade, em que poucos versos dão conta de reflexões profundas. No entanto, durante boa parte da vida e mesmo depois da morte de Orides, a poesia dela permaneceu por décadas restrita a círculos acadêmicos, à margem de um reconhecimento mais amplo. Enquanto seus poemas despertavam a atenção entre críticos, professores e escritores, ela seguia invisibilizada diante do grande público. Notícias relacionadas:Flip celebra legado de Orides Fontela com lançamento de obras inéditas.Ativista Angela Davis é destaque na programação do Sesc na Flip.Flip anuncia Orides Fontela como autora homenageada de 2026.Quase 30 anos depois de sua morte, a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa nesta quarta-feira (22), tem Orides Fontela como homenageada. A escolha da curadora Rita Palmeira tem permitido que se reconheça o valor do trabalho da autora, cuja vida se organizou em torno da poesia. Além disso, o evento deve promover um maior acesso do público à obra dela. Orides Fontela é a homenageada da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) - Foto: Fritz Nagib/ Divulgação Natural de São João da Boa Vista, no interior paulista, a poeta se formou em filosofia, além de ter sido professora primária e bibliotecária. A autora venceu o Prêmio Jabuti com o livro Alba, em 1983, na categoria Poesia, e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 1996. Segundo o pesquisador e jornalista Gustavo de Castro, autor da biografia O Enigma Orides (editora Hedra), no passado, principalmente enquanto ela era viva, havia uma narrativa consolidada sobre a escritora, inclusive na imprensa, que deslocava o foco da poeta para uma personagem quase folclórica, descrita a partir de conflitos pessoais. “Ela não teve reconhecimento de sua obra. Ela era conhecida como uma poeta universitária, foi reconhecida pelos críticos, pelos professores da universidade, mais ninguém. Ela não tinha um alcance nacional, não mesmo, como isso que está acontecendo agora com a Flip, graças a Rita Palmeira, que teve uma visão de valorizar uma mulher poeta, pobre e marginalizada”, disse Gustavo de Castro, em entrevista à Agência Brasil. Segundo ele, os rótulos e estereótipos atribuídos a Orides foram muito destacados em detrimento do valor literário da obra dela. O pesquisador defende que a autora seja reconhecida como uma artista que fazia poesia apesar das situações extremas de pobreza. “É uma poeta inteligentíssima, que pensa o livro enquanto produto artístico, o poema enquanto elaboração sensível, e a palavra enquanto sentimento.” Nascida no interior de São Paulo, Orides Fontela é considerada uma das grandes poetas brasileiras do século 20 - Foto: Fritz Nagib/ Divulgação Outro elemento que contribuiu para invisibilizar Orides, aponta o pesquisador, foi o machismo. “Ela foi vítima do machismo, que está na sociedade brasileira e por isso também está na literatura brasileira. E esse machismo continua”, lamentou Castro. O pesquisador disse que a autora ainda é retratada na imprensa a partir dos estereótipos atribuídos, majoritariamente, a mulheres que desafiam as expectativas sociais sobre comportamento, relações afetivas e trabalho. “A Orides que merece ser vista é aquela que medita a palavra. A palavra dela é como um cristal: se você gira um pouquinho para cá, você vê uma determinada coisa. Se gira um pouquinho para lá, você vê uma outra coisa. Esse é o poder da poesia”, ressaltou. Orides tinha um processo de escrita marcado pela reescrita constante. “Ela terminava de ler um livro e escrevia atrás dele alguns versos, inspirada naquela leitura. Ela escrevia em folhas avulsas e ia guardando em pastinhas. Depois reunia, retrabalhava, reescrevia. A poesia de Orides tem muito de reescritura, isso é uma marca”, contou Castro. “Mas não era essa poeta que marca um horário, senta, escreve, sabe? Ela tentava unir inspiração e transpiração, no sentido de captar uma ideia poética, anotar e depois retrabalhar aquilo com calma”, explicou. Lançada originalmente em 2015, a biografia de Orides foi reeditada e ganhou trechos inéditos neste ano em que a autora é a homenageada da Flip. Para Gustavo Castro, que tem como tema de pesquisa acadêmica justamente biografias de poetas, chama atenção a dedicação de Orides a pensar a poesia continuamente. “Só pensa poesia, vive poesia, respira poesia. A família da Orides, o pão da Orides, a vida da Orides eram a poesia. Isso implica uma vida de intensidade, viver na intensidade da poesia.” Orides Fontela tem a obra marcada pela precisão da linguagem e pela densidade filosófica - Foto: Fritz Nagib/ Divulgação Ele ressaltou que, apesar das condições materiais precárias que marcaram a trajetória da autora, Orides continuou a se dedicar à poesia. “Isso é muito radical. Essa radicalidade de sacrificar as condições materiais em função da poesia, quem faz isso? Orides fez”, disse o biógrafo. “Ela é uma espécie de santa da poesia, eu costumo dizer. Porque é uma espécie de santidade, de pureza, de crença na palavra poética.” “Não precisa também idealizar a Orides, não, sabe?”, ponderou Gustavo, relatando que ela viveu um “despedaçamento” em sua vida por conta dessa dedicação total à poesia. “Você não consegue ter uma vida prática, objetiva, prosaica. Você se despedaça, como foi o caso dela. Ela foi se esquecendo de tudo, até de si mesma.” O biógrafo lembrou ainda uma expressão que a poeta costumava mencionar. “Ela dizia assim: ‘Clarice Lispector escreveu Perto do Coração Selvagem. Eu sou o próprio coração selvagem.’” Ele conclui: “Orides estava muito próxima de um estado radical, selvagem, de apostar uma vida inteira em palavras, em versos, e até abdicar de relações em função da sua poesia.”

6 hours ago

Publishing Activity

Daily article output trend

Acusado pelos EUA, Brasil é referência no combate ao trabalho forçado

Nesta quarta-feira (22), parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos passa a ser taxada em 25, resultado de uma decisão unilateral do governo americano, que alega supostas práticas desleais do Brasil no comércio internacional. Além disso, o governo brasileiro trabalha com a expectativa de uma nova sobretaxa de 12,5, com a justificativa de que o Brasil, na visão norte-americana, não impede a importação de produtos vindos de países que adotam o trabalho forçado. Notícias relacionadas:Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira.Modelo do Pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil.Setores atingidos por tarifaço dos EUA terão novo plano de socorro.No entanto, especialistas ouvidos pela Agência Brasil discordam da avaliação americana e vão além: o Brasil é referência no combate ao trabalho forçado e formas análogas à escravidão. Nova rodada de taxas A taxa de 25 anunciada no último dia 15 é justificada pelo governo de Washington que alega que o país falha em combater o desmatamento, a corrupção e utiliza o Pix para prejudicar empresas americanas, entre outras práticas. O governo brasileiro rejeita as acusações e se dispôs a lançar mão da Lei de Reciprocidade, como forma de resposta à taxação, classificada como “injusta”. Enquanto a cobrança não começa, o governo dá como certa nova tarifa de 12,5. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na última sexta-feira (17), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, declarou que a nova punição deve ser publicada na sexta-feira (24). “Vamos saber se ela será cumulativa ou não. O Brasil corre risco de ter uma alíquota de 37,5”, disse ao jornal. Alegação norte-americana A provável nova taxação é fundamentada em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que investiga 59 países e a União Europeia. O escritório norte-americano aponta que essas economias “falham em impor uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado”. Sobre o Brasil, o documento rejeita a argumentação de que acordos internacionais coíbem a importação desses produtos. Embora o Brasil afirme proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio de compromissos assumidos em acordos de investimento e de livre comércio, essas disposições não proíbem juridicamente a importação para o mercado interno de bens produzidos, total ou parcialmente, com trabalho forçado em outro país”, diz o texto do USTR de 2 de junho. Brasil rebate Durante a investigação, o Brasil forneceu à Casa Branca informações técnicas sobre o arcabouço legal nacional para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. Em 3 de junho, o governo brasileiro manifestou, por meio de nota, “profunda discordância” da conclusão preliminar americana e classificou a medida como “protecionista”, ou seja, uma defesa da economia dos Estados Unidos contra a concorrência internacional. “É lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais”, diz o governo brasileiro. O Brasil acrescentou que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência especializada das Nações Unidas, reconhece há décadas o país como “referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político”. O Decreto 12.857, de fevereiro de 2026, formaliza a adesão do Brasil à Convenção nº 29 da OIT sobre o trabalho forçado. De todos os 187 países que fazem parte da organização, apenas seis constam como não signatários da convenção, entre eles os Estados Unidos. O Brasil sustenta ainda que as autoridades aduaneiras, que atuam na entrada e saída de mercadorias do país, detêm competência legal para negar a entrada e confiscar qualquer mercadoria estrangeira que seja contrária à moral pública, aos bons costumes, à saúde pública ou à ordem pública. “Qualquer bem produzido no todo ou em parte por trabalho forçado enquadra-se nessa definição”, reforça o comunicado. Reconhecimento internacional Inspeção do trabalho resgata 942 pessoas escravizadas e garante direitos e reparação. Foto: Subsecretaria de Inspeção do Trabalho/ Divulgação O professor de direito internacional Thiago Romero, do Ibmec-SP, faz questão de separar dois fatores “que a narrativa norte-americana funde”. “Existe uma diferença jurídica entre combater o trabalho forçado que ocorre dentro do próprio território e barrar, na alfândega, produtos importados que foram fabricados com trabalho forçado em outro país”, explica. Ele reforça que o Brasil é reconhecido internacionalmente pelo combate do trabalho forçado dentro do país. “É o entendimento da própria OIT, que há décadas trata o modelo brasileiro de combate ao trabalho análogo ao de escravo como uma das melhores práticas do mundo”, diz. Thiago Romero, professor de direito internacional do Ibmec-SP. O professor acrescenta que o país tem uma “arquitetura jurídica bastante sólida para mostrar”. Ele cita o artigo 149 do Código Penal, que criminaliza a redução à condição análoga à escravidão, com uma definição ampla que inclui jornada exaustiva e condições degradantes. “Mais avançada, inclusive, do que a de muitos países desenvolvidos”, qualifica. Ele acrescenta que existem, desde 1995, os Grupos Móveis de Fiscalização do Ministério do Trabalho. De acordo com o Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, quase 66 mil pessoas foram resgatadas de condição análoga à de escravo. O professor lembra também da chamada “lista suja”, cadastro de empregadores brasileiros flagrados em uso do trabalho forçado. “Um instrumento de transparência que o próprio setor privado usa para cortar relações comerciais e crédito com infratores, mecanismo que a OIT recomenda como modelo”, enfatiza. A versão atual da lista suja divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em abril apresenta 568 empresas listadas. Alguns empregadores aparecem mais de uma vez por terem sido responsabilizados em diferentes ações fiscais ou estabelecimentos. Como há atualizações recorrentes, nomes podem ser retirados da relação. “O Brasil fiscaliza até mesmo o trabalho forçado embarcado em cadeias estrangeiras que operam em solo brasileiro”, aponta Romero. Outra ferramenta lembrada pelo especialista do Ibmec é o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que reúne grandes empresas e a sociedade civil. USTR Porto do Rio de Janeiro - Tânia Rêgo/Agência Brasil O professor explica que o USTR se apega a uma lacuna técnica para enquadrar o Brasil. “A crítica americana tem um fundo ‘técnico’ verdadeiro. Quando os Estados Unidos dizem que há muito trabalho escravo no Brasil, eles estão dizendo que o Brasil não possui um instrumento aduaneiro específico para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado no exterior, nos moldes do modelo americano”, contextualiza. Nos Estados Unidos existe uma norma desde 1930, a Seção 307 da Lei de Tarifas, que proíbe a importação de qualquer mercadoria que tenha sido beneficiada total ou parcialmente com trabalho forçado. Thiago Romero detalha que em 2021, a legislação foi atualizada, determinando que qualquer produto vindo da região chinesa de Xinjiang foi feito com trabalho forçado, sendo barrado na alfândega. A União Europeia aprovou um instrumento semelhante em 2024, com vigência prevista para 2027, lembra o especialista. Na visão dele, ao reconhecer que o Brasil não tem instrumento legal que trave a mercadoria na entrada com base na origem em trabalho forçado, isso não representa que o Brasil falha. “O que o Brasil não tem é um mecanismo de bloqueio de importações espelhado no modelo dos Estados Unidos. É uma lacuna de instrumento, não uma omissão de política”, afirma. Para Romero, quando o governo de Washington exige que 60 economias adotem o padrão regulatório americano sob ameaça de tarifa, vira uma forma de “exportar a própria legislação”. “Quando se tarifa o mundo inteiro sob o mesmo argumento, fica claro que a variável que explica a medida não é o trabalho forçado, e sim a política comercial”, conclui. PL no Congresso Torres do Prédio do Congresso Nacional, na Esplanada dos Ministérios. - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Há quase 11 anos tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) 2.799/2015, que se propõe a ser um mecanismo de proibição da importação e comércio de produtos feitos com trabalho infantil, forçado ou obrigatório. O PL está na Câmara dos Deputados, passou por aprovações em comissões em 2025 e 2026, mas ainda não há uma palavra final dos parlamentares. O advogado e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Jean Menezes de Aguiar acredita que o fato de o PL ainda não ter virado lei não pode ser motivo para a Casa Branca classificar o Brasil como país que não combate o trabalho forçado. “De jeito nenhum. Todo país tem suas burocracias, e o Legislativo americano é moroso também”, diz. Jean Menezes de Aguiar, advogado e professor da FGV- Jean Menezes Aguiar/ Arquivo Pessoal Menezes de Aguiar chama a pressão americana de “tipicamente político-eleitoral”. “Eles sabem que temos isso muito bem regulado na Constituição, e o Brasil não transige com essa pauta”, afirma. O advogado chama atenção para o Artigo 243 da Constituição Federal, que determina que propriedades onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário. “Não existe no plano civil imputação maior do que a expropriação de um bem no modelo capitalista”, considera. “Só por esse artigo 243 da Constituição, já temos uma certeza de que o país é totalmente comprometido com o não trabalho escravo e outras condições análogas e que digam respeito a esse tipo de situação”, afirma. Para o advogado e professor da FGV, em relação à importação de bens que tiveram trabalho forçado na cadeia produtiva, basta o país ter a informação sobre a origem no trabalho ilegal. “A partir do momento que isso seja público e notório, o país pode envidar esforços para que o produto não entre, para que isso não chegue aqui, porque estes objetos estariam ao nosso ver da Constituição brasileira, contaminados por esta situação péssima”, pontua.

6 hours ago

Tarifaço: EUA distorcem tema das big techs, afirmam especialistas 

Decisões judiciais e evolução da legislação brasileira em relação à atuação das gigantes da tecnologia (big techs) foi um dos argumentos usados pelos Estados Unidos para imposição do tarifaço de 25 sobre produtos brasileiros. A medida vale a partir desta quarta-feira (22). Porém, de acordo com pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, os Estados Unidos distorceram alguns fatores e usaram o tema como pretexto para punir o Brasil. Para os especialistas, as empresas estrangeiras não podem perceber o país como “terra sem lei” e devem obedecer ao regramento nacional. Notícias relacionadas:Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira.São Paulo e Santa Catarina sofrem 52 do impacto do tarifaço dos EUA.Setores atingidos por tarifaço dos EUA terão novo plano de socorro.Diferentemente do que alega o governo dos Estados Unidos, a legislação brasileira não promove ameaça à liberdade de expressão. Essa seria uma narrativa deturpada, conforme destaca o professor Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (Iris). A falta de regras é o que fere a liberdade de expressão ao permitir que discursos de ódio ataquem minorias e que a desinformação afete a formação da opinião pública.” O sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e pesquisador do tema da soberania digital, avalia que a decisão do governo dos Estados Unidos foi “truculenta”. As alegações para o tarifaço se baseiam em um relatório feito pelo Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR). O documento cita a atuação da Justiça contra big techs e pontos do Marco Civil da Internet com supostos endurecimentos da legislação contra as plataformas digitais. “Ordens secretas de tribunais brasileiros e as severas penalidades por descumprimento são descabidas, pois exigem que empresas de mídia social americanas removam conteúdo político e suspendam os perfis de residentes americanos”, questiona o documento estadunidense. Prestação de contas Na Europa, existe uma série de controles que ainda não há no Brasil, como destaca o sociólogo Sérgio Amadeu. “O que acontece na Europa, principalmente, é que lá as big techs têm que prestar contas à sociedade.” Amadeu diz que o governo Trump faz uma manobra para garantir que aqui seja um território onde as big techs possam extrair dados e riquezas sem prestar contas para a nossa sociedade. “Isso é um absurdo. Uma das consequências é que as big techs praticam uma censura muito pesada aqui dentro do Brasil porque eles controlam algoritmos que são invisíveis.” Poder público O professor entende que o papel do poder público é exigir que crimes não possam proliferar dentro da rede. “Nós precisamos ter uma legislação que garanta que as big techs e as plataformas digitais tenham que cumprir regras democráticas.” De acordo com ele, há no Brasil um cenário de tecnofascismo, em que as corporações abandonam a fachada de neutralidade para se alinham abertamente à agenda do governo norte-americano. As empresas assumiram a política de Trump para transformar o Brasil em um território livre para extração de dados e riquezas sem prestação de contas. Não é surpresa O diretor do Sleeping Giants Brasi, Humberto Ribeiro, lembra que, com a eleição de Donald Trump, algumas empresas alteraram suas diretrizes e encerram parcerias de checagem de fatos com agências independentes. As Big Techs se converteram em ferramentas da estratégia geopolítica de Washington. Para Humberto Ribeiro, não é uma surpresa que os Estados Unidos argumentem que os avanços brasileiros na regulação dessas empresas seja fundamento para a aplicação do tarifaço. “No ano passado, quando as tarifas foram anunciadas pela primeira vez ao Brasil, um fundamento era que o país estava avançando com iniciativas de regulação de plataformas digitais.” Na avaliação de Alexandre Gonzalez, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e representante do Diracom (organização contra desigualdades nos meios de comunicação e na internet), as investidas de Trump dão continuidade ao tom adotado pelo presidente em 2025, com a finalidade de blindar interesses corporativos sob a falsa narrativa de proteção à concorrência. Além do discurso oficial, Gonzalez identifica que a verdadeira preocupação dos Estados Unidos está ancorada na corrida tecnológica global travada contra a China, especialmente no campo da inteligência artificial. Corporações representariam a espinha dorsal dessa vanguarda norte-americana. Efeito Brasil O diretor da Sleeping Giants, Humberto Ribeiro, argumenta que o Brasil se tornou estratégico para os Estados Unidos para tentar evitar que outros países da América Latina sigam o mesmo caminho de tentativa de regulação. “Um objetivo, na verdade, seria demonstrar para todos os países latino-americanos quais são as consequências de fazer o que o Brasil está fazendo.” Dossiê Neste ano, a Sleeping Giants foi uma das responsáveis por publicar um dossiê das Big Techs no Brasil a fim de verificar danos produzidos por essas empresas para a sociedade. Foram identificados, por exemplo, estímulos de comportamentos nocivos e violentos, exploração sexual infantil, automutilação e incitação ao suicídio. Um segundo grupo de danos foi a adoção de comportamentos de censura e de manipulação. “São elas as verdadeiras censoras. Essas plataformas tiram do ar veículos de imprensa, canais relacionados a movimentos sociais ou a grupos sociais marginalizados ao seu bel prazer.” O advogado defende que a regulação é, na verdade, um mecanismo de proteção da liberdade de expressão. “Sem uma regulação sobre os serviços dessas empresas, elas continuarão suprimindo e removendo discursos, inclusive de veículos de imprensa, sem que exista qualquer regra que as obrigue a prestar contas sobre as decisões que elas tiveram.” Humberto Ribeiro entende que o Brasil teve inicialmente uma abordagem protetiva para as empresas. Com julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ficou definido que a remoção de conteúdo passaria a ser como na Europa, a partir da denúncia do usuário. “Não é possível dizer que a abordagem brasileira é dura. Garante aos usuários segurança. Não é uma abordagem que impede as plataformas de atuarem, por exemplo. Na minha leitura, dá para endurecer mais.” O advogado cita que dois projetos em tramitação no Congresso têm relevância especial para a soberania digital. Um é o PL 2338, já aprovado no Senado, trata sobre uso da inteligência artificial no Brasil. O outro é o PL 4675, que aborda a regulação de mercados digitais. Para ele, este projeto de lei pode impactar o mercado das tecnologias da informação no Brasil. “Quebra para as empresas a prática monopolista, sempre utilizada para conquistar e garantir o seu poder de mercado.” Legislação Segundo o pesquisador Paulo Rená, pesquisador do Iris, o intenso lobby das big techs atuou para travar avanços no Congresso Nacional, sendo o PL das Fake News o maior exemplo desse bloqueio. Essa omissão legislativa exigiu uma resposta dos demais Poderes para assegurar a soberania digital. Nada nessas normas trata de restrição ao conteúdo das publicações ou de censura. O que se exige é um papel proativo e transparente das plataformas no cumprimento de seus próprios termos de uso e na proteção de vulneráveis, em especial, crianças e adolescentes. Para os especialistas, um dos principais objetivos da legislação brasileira é proteger as criança no acesso à internet Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Pesquisador em ciência política e em relações internacionais, Alexandre Gonzalez entende que a premissa de que haveria uma espécie de perseguição à atuação das empresas dos Estados Unidos em território brasileiro é descabido. “O argumento sobre defesa de liberdade de expressão é um pretexto.” Para Gonzalez, é falsa a argumentação de que haveria um endurecimento brasileiro em relação às Big Techs. Para ele, debater o estabelecimento de regras é uma tendência de discussão e de construção no mundo inteiro. Construção social A jornalista Júlia Lanz, pesquisadora do Intervozes e da Coalizão Direitos na Rede, pondera que, assim como existe uma regulação para publicidade no Brasil, é necessária também a regulação das plataformas digitais. “Não tem nada a ver com o discurso que tentam colar da censura. O nosso Marco Civil foi uma grande construção da sociedade civil com pressão ao Congresso. E foi uma grande conquista por direitos.” A advogada Camila Camargo, especialista em direito digital, em Curitiba (PR), cita que os decretos 12.975 e 12.976, que entraram em vigor esta semana, definem que as plataformas removam e trabalhem para prevenir conteúdos considerados criminosos. “O Brasil tem todo o direito de definir quais as regras que deve adotar. Toda empresa deve ter responsabilidade. Quem está oferecendo um serviço ou um produto tem uma série de responsabilidades. Soberania O pesquisador Paulo Rená defende que o Brasil imponha sua dimensão de mercado e sua soberania para rechaçar a pressão. “A postura firme do Estado brasileiro é, na verdade, o que garante e promove a verdadeira liberdade de expressão e a democracia no país. Para Sérgio Amadeu, o caminho democrático exige fazer cumprir a Constituição, impor a tributação justa sobre operações bilionárias e garantir que corporações estrangeiras submetam seus algoritmos à democracia brasileira.

6 hours ago

Casa Paraty será palco da cultura caiçara viva em estreia na Flip 2026

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em sua 24ª edição, terá um novo espaço dedicado integralmente à cultura caiçara com a estreia da Casa Paraty. O espaço receberá mestres populares, coletivos de jovens, artistas quilombolas, grupos infantis e tradições orais locais, durante o festival literário que ocorre de 22 a 26 de julho. A partir das vivências do território e dos saberes tradicionais, o espaço pretende articular a memória e a produção criativa das novas gerações. A proposta contempla ainda a valorização da produção cultural da população de Paraty, por meio da música popular, da ciranda caiçara, do hip hop, do audiovisual, entre outras manifestações. Notícias relacionadas:Festa Literária Internacional de Paraty começa hoje e muda rotina da cidade.Coordenadora e uma das idealizadoras do espaço, Gabriela Marsico ressalta a importância do elo entre as gerações de um território. “Acredito que memória, identidade e pertencimento são inseparáveis. Uma cultura viva não se sustenta apenas preservando o passado, mas criando condições para que novas gerações possam se reconhecer nessas histórias e, ao mesmo tempo, produzir novas narrativas.” Um dos destaques da programação será a participação, no sábado (25), às 22h, dos Cirandeiros de Paraty, fundamentais na construção da proposta artística da Casa. Eles reafirmam a força da ciranda como manifestação coletiva, ligada à memória oral, ao convívio comunitário e aos modos de vida tradicionais da Costa Verde. Segundo a curadora do espaço, Vanda Mota, o princípio que orientou a construção da programação foi harmonizar a produção cultural local em seus ritmos com o calendário de eventos de Paraty. “Sendo a Flip o maior dos eventos culturais da cidade, é fundamental que a cultura local possa se apresentar com sua maturidade e seus processos para esse público.” Além de uma programação com debates, apresentações e oficinas, a Casa Paraty terá durante todo o período da Flip a exposição Trindade: Quando o Território Virou Luta, com imagens do acervo fotográfico da Associação de Moradores da Trindade (AMOT). A mostra reúne registros produzidos entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, documentando a mobilização da comunidade caiçara em defesa de seu território. A Galeria de Arte Popular, mostra que também integra as atividades do espaço, reúne artistas de diferentes gerações que apresentam um panorama da história e da cultura de Paraty, por meio de diferentes linguagens das artes visuais, como fotografia, pintura, escultura e cerâmica. Segundo a curadoria, a mostra reafirma a arte como instrumento de preservação da memória, valorização das tradições e construção de novas narrativas culturais. A programação completa está no link.

6 hours ago

Mega-Sena não tem ganhador; prêmio sobe para R$ 62 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do Concurso 3.034 da Mega-Sena, realizado nesta terça-feira (21). O prêmio acumulou e está estimado em R 62 milhões para o próximo sorteio. Os números sorteados são: 08 - 28 - 30 - 37 - 39 - 60 22 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R 79.843,32 cada 2.287 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R 1.266,03 cada Apostas Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília) de quinta-feira (23), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa. A aposta simples, com seis dezenas, custa R 6.

15 hours ago

Reciprocidade não é retaliação nem "olho por olho", diz Alckmin

A Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, disse nesta terça-feira (21) o vice-presidente Geraldo Alckmin. A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso, afirmou Alckmin. Notícias relacionadas:Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira.Modelo do Pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil.EUA impõem novas tarifas de 50 sobre alguns produtos canadenses.Ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, concederam uma entrevista após reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil. O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado. Segundo Alckmin, a legislação oferece instrumentos para uma resposta institucional, caso seja necessário, respeitando os trâmites legais, como consultas e audiências públicas. O Executivo finaliza um pacote de apoio aos setores afetados e acelera a busca por novos mercados para as exportações nacionais. Os dois detalharam os principais eixos do pacote de ajuda aos exportadores. Três frentes O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos. A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25 sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5, atingindo cerca de 18 das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US 7,4 bilhões. Apoio interno Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas. O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação. A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários. Outro tema discutido é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que venham a receber apoio emergencial. O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo, afirmou Márcio Elias Rosa. Novos mercados Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país. Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura. O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado. Setores afetados Entre os segmentos mais expostos às tarifas estão: Eletroeletrônicos; Máquinas e equipamentos; Autopeças; Calçados; Outros produtos industriais exportados aos Estados Unidos. Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos. Cronograma O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5 de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado. Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25 para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano. Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio. Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

17 hours ago

Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, diz relatório da ONU

A população mundial em situação de fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo e chegou, em 2025, a 645 milhões de pessoas, representando uma redução de quase 14 milhões de pessoas que sofreram com fome em comparação com 2024 e 43 milhões, em comparação com 2022. As informações constam no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI, na sigla em inglês), elaborado por cinco instituições: a própria FAO, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Notícias relacionadas:Lares de mulheres negras são mais afetados por insegurança alimentar.África Oriental: insegurança alimentar grave ameaça mais de 50 milhões.EUA: guerra na Ucrânia pode elevar insegurança alimentar global.A avaliação da fome global calcula que 7,8, da população mundial sofreu de fome em 2025. Em 2026, este índice era de 8,6. Percentual que caiu para 8,1, em 2024. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (21), na sede da FAO, em Roma (Itália), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização. Aos presentes no evento, o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, enfatizou que é preciso avançar mais rápidos. “Acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas que o facilitem.” Em discurso na 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Fernanda Machiaveli, destacou que a fome é evitável. “Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos.” Insegurança alimentar O relatório global de 2026 também destaca que houve progresso global no número de pessoas que viviam em situação de insegurança alimentar moderada ou severa. Esta condição de extrema de vulnerabilidade ocorre quando as pessoas consomem alimentos em quantidade insuficiente para uma vida saudável ou comida com menor qualidade nutricional. A FAO estima que 25,8 da população mundial (cerca de 2,1 bilhões de pessoas) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa até 2025. O percentual representa uma queda em relação aos 27,1 em 2024 e 28,7 em 2020 – quase 86 milhões a menos do que em 2024 e 135 milhões a menos do que em 2020 – embora ainda esteja acima dos níveis pré-pandemia. Disparidades continentais Apesar da redução contínua nos níveis da fome, a recuperação é desigual entre os continentes. A principal publicação anual sobre fome no mundo indica que, enquanto a Ásia, a América Latina e o Caribe apresentam melhorias graduais nos últimos anos três, a África é, atualmente, o continente com o maior número absoluto de pessoas famintas, em um contexto de rápido crescimento populacional, diz a FAO. Estima-se que uma em cada cinco pessoas na África, ou seja, 20 enfrentaram a fome em 2025, o que corresponde a cerca de 309 milhões de pessoas famintas na África. Em 2024, este índice foi ligeiramente maior: 20,3 da população. Quando avaliada a situação de insegurança alimentar moderada ou severa, em 2025, mais da metade da população africana (56,6) vivia nesta condição, em comparação com 22,9 na América Latina e Caribe, 8,7 na América do Norte e Europa, e 20,3 na Ásia. Mais vulneráveis A insegurança alimentar também permanece maior nas áreas rurais do que nas áreas urbanas e periferias, enquanto as mulheres continuam sendo desproporcionalmente afetadas, embora a diferença de gênero tenha diminuído ligeiramente em 2025. Globalmente, apenas 62,7 das mulheres entre 15 e 49 anos atingiram a diversidade alimentar mínima priorizada no consumo saudável entre 2021 e 2025, o que significa que cerca de uma em cada três mulheres não a atingiu no planeta. No recorte continental, a menor prevalência de transtorno de diversidade alimentar em mulheres foi observada na África (43), seguida pela Ásia (65) e América Latina e Caribe (77,5). Enquanto a maior de diversidade alimentar foi registrada na América do Norte e Europa (79,8). Ritmo de avanço Os avanços globais na nutrição de mães e crianças são lentos e marginais, o que ameaça o cumprimento das metas internacionais estipuladas para 2030. Apenas 30,8 das crianças entre 6 e 23 meses no mundo consomem uma alimentação minimamente diversificada. Entre os principais indicadores de alerta estão: · desnutrição infantil grave: 150 milhões de crianças menores de 5 anos ainda sofrem de atraso no crescimento; · anemia em mulheres: O quadro de anemia entre mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) está piorando globalmente. · obesidade adulta: a prevalência cresceu de 12,1 (2012) para 16,2 (2024), descumprindo a meta global de parar esse crescimento até 2025. Entre os cenários destacados na análise global com alguma evolução está o aumento do aleitamento materno exclusivo em todas as regiões do planeta para as quais há dados disponíveis e houve registro da diminuição da prevalência do retardo infantil na África. Custo da alimentação saudável O relatório ressalta que os custos continuam sendo um grande desafio para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2 de, até 2030, erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição. O número de pessoas que não podem pagar uma alimentação saudável no mundo caiu de 2,97 bilhões (37,4 da população mundial) em 2021 para 2,69 bilhões (32,7) em 2025. O cenário é pior na África de 2025, onde 66,6 da população não podia arcar com os custos de uma dieta saudável. O percentual é mais do que o dobro da Ásia, América Latina e Caribe. Para calcular este número, a FAO-ONU adota a Paridade do Poder de Compra (PPC) - em inglês, purchasing power parity (PPP), que converte as moedas locais para o dólar ajustando as diferenças de custo de vida e ainda considera variáveis como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável. Desta forma, a unidade de medida usada consegue comparar o poder aquisitivo entre países. Por essa metodologia, em 2025, o custo médio de uma dieta saudável no mundo aumentou para U 4,28 com paridade de poder de compra (PPA) por pessoa e dia, acima de U 3,44 PPP, em 2021, e U2,94, em 2017. América Latina e Caribe registraram o maior custo (U 4,91 PPP). A avalia destaca que é urgente o desafio de enfrentar os fatores estruturais por trás do custo persistentemente elevado de uma dieta saudável. Para os organismos internacionais que elaboraram o SOFI 2026, reduzir o custo de uma alimentação saudável exige políticas específicas que ampliem a oferta de alimentos nutritivos e, ao mesmo tempo, reduzam os custos estruturais em toda a cadeia produtiva da agricultura. “Isso inclui investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento, irrigação e cadeias de frio, além de reformas em subsídios, facilitação do comércio e marcos regulatórios”, diz o texto do relatório. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou que o trabalho ainda está longe de ser concluído, mas que os governos podem mudar a realidade de quase um terço da humanidade que ainda não conseguir acesso a uma alimentação saudável. “O custo dos alimentos saudáveis continua sendo um dos maiores obstáculos para a efetivação do direito humano à alimentação adequada. A contribuição mais importante desta edição do SOFI é ir além da descrição do problema. O relatório nos ajuda a compreender por que as dietas saudáveis continuam sendo caras”, pontuou a ministra. Fernanda Machiaveli focou na instabilidade dos preços dos alimentos, que continua sendo uma das maiores ameaças ao acesso à alimentação saudável, especialmente para as populações mais vulneráveis. A fome pode aumentar O relatório anual também oferece projeções do cenário da fome global para os próximos cinco anos e considera fatores que podem agravar a situação. Entre os mais destacados estão os efeitos do conflito no Oriente Médio e de eventos climáticos extremos, como o El Niño em 2026 e 2027, que não são considerados nessas projeções e podem intensificar ainda mais esses efeitos. Outro aspecto levantado foi a redução da ajuda oficial de governos ao desenvolvimento e do financiamento humanitário, que podem ameaçar e comprometer o progresso alcançado no combate à fome no mundo nos últimos anos. O diretor-geral da FAO, QU Dongyu, priorizou a necessidade de fortalecer os sistemas agroalimentares de todas as partes do mundo. Crises recentes – desde desastres naturais como a pandemia da doença do coronavírus (covid-19) até desastres causados pelo homem, como pontos críticos, a guerra na Ucrânia, a crise de Gaza e a recente interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz – evidenciaram tanto a resiliência dos sistemas agroalimentares quanto a necessidade de fortalecê-los ainda mais para melhor servir às pessoas mais vulneráveis do mundo, agricultores e consumidores”, concluiu.

17 hours ago

Itamaraty pede a brasileiros que evitem viagens para o Oriente Médio

Diante da evolução das tensões relacionadas ao conflito no Oriente Médio, o Ministério das Relações Exteriores emitiu, nesta terça-feira (21), um alerta consular para que brasileiros não viagem para o Irã, Israel, sul do Líbano, Palestina (Faixa de Gaza) e Iêmen. Na mesma nota, divulgada em redes sociais, o Itamaraty pede que sejam evitadas viagens não essenciais para a Palestina (na Cisjordânia), Síria, Iraque, Líbano, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita. O governo acrescentou que não existem, até agora, restrições à realização de conexões aéreas nos países. Brasileiros no exterior Notícias relacionadas:Irã informa ter atacado central de dados da Amazon no Bahrein.Houthis fecham estreito de Bab el-Mandeb em bloqueio à Arábia Saudita .Escalada da guerra expõe fracasso do acordo entre Irã e EUA .O Itamaraty alertou os brasileiros que estão nesses países a acompanharem as notícias nos sites e nas mídias sociais das embaixadas brasileiras na região e que sejam seguidas rigorosamente as recomendações de segurança das autoridades locais. Entre as recomendações, o governo brasileiro pede que as pessoas evitem multidões e protestos, que não sejam filmadas ou fotografadas instalações, veículos ou pessoal militar, “tampouco ataques ou quaisquer outros eventos relacionados ao conflito, uma vez que tal conduta pode, à luz da legislação local, resultar em detenção”, apontou o Itamaraty. O ministério ainda solicita que os brasileiros não divulguem, em redes sociais, imagens, vídeos ou textos relacionados ao conflito que possam ser considerados pelas autoridades locais como ofensivos à segurança nacional. “[Recomenda-se] não deixar seus locais de residência sem se certificar de que as condições de segurança o permitem”, orienta o governo. Nos casos de voos cancelados, os brasileiros devem procurar a companhia aérea para remarcação dos bilhetes. Outra orientação é verificar se seus documentos de viagem estão em dia e com ao menos seis meses de validade”. Conflito em marcha As recomendações da chancelaria brasileira ocorrem em um dia de novas evoluções do conflito no Oriente Médio. Nesta terça, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) informou que realizou um ataque à central de dados da empresa Amazon, dos Estados Unidos (EUA), sediada no Bahrein. Em nota, o Exército do Bahrein confirmou que o Irã realizou ataques “ilegais contra civis” no país, sem especificar quais os locais foram atingidos. Os militares do país do Golfo acrescentaram terem destruído “com sucesso” diversos ataques aéreos iranianos nesta terça-feira. Os militares iranianos anunciaram também novos ataques contra radares de alerta e de defesa antimíssil dos EUA no Kuwait, na Base Aérea de Jaber. Outros alvos anunciados pelo Irã foram de bases norte-americanas na Jordânia. Complexo nuclear em risco O Comando Central dos Estados Unidos, por outro lado, divulgou que atacou bases militares iranianas, instalações marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea daquele país. O presidente Donald Trump ameaçou, nesta terça (21), o complexo nuclear iraniano Montanha Pickaxe, próximo às instalações nucleares de Natanz. Com a escalada da guerra no Oriente Médio, que significou um revés no acordo costurado entre Irã e EUA, o preço do petróleo voltou a subir nesta semana, com o valor do barril Brent subindo cerca de 2 e chegando a US 90.

17 hours ago
Agência Brasil — News Tracking & Analysis | Real Narrative News