Quadrinhos da Engenheira Eugênia conscientizam sobre assédio na EJA
April 4, 2026
Jornal de Brasília
Um grupo de pedagogos da Universidade de São Paulo (USP) incluiu tirinhas da personagem Engenheira Eugênia em apostilas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para discutir assédio moral e violência de gênero no trabalho. A iniciativa, prevista para 2026, utiliza a apostila Práticas de Alfabetização e de Matemática – anos iniciais do ensino fundamental, adaptada para alunos da EJA.A Engenheira Eugênia foi criada em 2013 pelo coletivo de mulheres da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Engenheiros (Fisenge), com o objetivo de dar voz às lutas das mulheres na profissão, predominantemente masculina.
Segundo Simone Baía, diretora do coletivo e cocriadora do projeto, a personagem surgiu como uma ferramenta acessível para transmitir questões como assédio moral, violência contra a mulher, a necessidade de banheiros femininos em canteiros de obra, além de combate ao racismo e à LGBTQIAPNfobia. As tirinhas são publicadas no site da federação.No material pedagógico, um quadrinho retrata a Engenheira Eugênia sofrendo assédio moral de seu chefe, que a desqualifica por ser mulher. A atividade incentiva os estudantes a reconhecerem essas situações e a refletirem sobre respeito, igualdade e direitos profissionais por meio de diálogos.A iniciativa vai além da EJA. No projeto Viaduto Literário, as tirinhas foram apresentadas a crianças do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, para promover representatividade e quebrar estereótipos sobre profissões na engenharia. Simone Baía relatou que as crianças inicialmente associavam a engenharia a uma profissão para 'gente rica', o que o projeto busca desconstruir.A personagem é uma mulher negra, engenheira com 15 anos de experiência, mãe de dois filhos e divorciada, representando a 'jornada dupla' das mulheres que conciliam trabalho remunerado e tarefas domésticas. O coletivo enfatiza a importância de trazer questões sociais para a área, alinhadas aos objetivos sindicais.O projeto da Engenheira Eugênia alcançou reconhecimento internacional, com tradução para o inglês, apresentações em fóruns sindicais, animações e tirinhas em forma de marca-páginas. Em 2016, recebeu o Prêmio Anamatra de Direitos Humanos na categoria cidadã em comunicação sindical. Para Simone Baía, discutir esses temas é o primeiro passo para mudanças sociais.
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