Piloto preso sob suspeita de exploração sexual de crianças fez 11 vítimas, diz Polícia Civil de SP
April 3, 2026
Jornal de Brasília
CLAYTON CASTELANISÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) A Polícia Civil pediu na última quarta-feira (1º) ao Ministério Público de São Paulo a prisão preventiva do piloto Sergio Antonio Lopes, 60, suspeito de comandar uma rede de exploração sexual infantil e estupro de vulnerável. Ao concluir o inquérito sobre o caso, a 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) apontou que o piloto e outras cinco mulheres teriam praticado 11 crimes.
Também são 11 as vítimas, sendo dez menores, uma a mais do que as nove inicialmente identificadas. Como o inquérito individualiza os crimes para cada uma das vítimas, os suspeitos deverão responder por mais de cem delitos. A defesa do piloto, representada pela advogada Claudia Apolonia Barbosa, afirmou que irá preservar o segredo de Justiça que o caso impõe e que acredita na sensibilidade do Judiciário em adequar suas condutas e desconstruir uma imagem de monstro que foi criada para promoções pessoais. A advogada também comentou que Lopes passou por uma cirurgia grave e por um tratamento que trouxe uma alteração sensível, química e comportamental, e que isso explica muitas coisas. Lopes já estava preso temporariamente desde 9 de fevereiro. Ele foi detido quando se preparava para decolar no aeroporto de Congonhas, na capital paulista, com destino ao Rio de Janeiro. Ele era piloto da Latam, que o demitiu após ser informada sobre os crimes atribuídos a ele pela investigação. Diferente da prisão temporária, que tem prazo de até 60 dias, a prisão preventiva não estipula um período para que o suspeito permaneça detido. Os crimes atribuídos aos suspeitos são: estupro de vulnerável; produção de pornografia infanto-juvenil; posse, aquisição ou armazenamento de material de pornografia infanto-juvenil; compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil; aliciamento de criança; perseguição; coação no curso do processo; favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança e adolescente; divulgação de cena de pornografia infantil; falsa identidade; e organização criminosa. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que confirmou a conclusão da investigação policial, informou que não pode fornecer mais informações sobre o caso devido ao sigilo do procedimento. Em 20 de março, a polícia havia prendido a última envolvida no esquema de exploração sexual infantil investigado pela operação Apertem os Cintos. A mulher estava no Campo Belo, na zona sul da capital. Ela é suspeita de aliciar outras mulheres para integrarem a rede de exploração sexual e fornecia material pornográfico de crianças da própria família. A primeira fase da operação ocorreu em fevereiro deste ano, após trabalho investigativo da Polícia Civil iniciado em outubro de 2025. A segunda etapa ocorreu na primeira quinzena de março, no Espírito Santo, onde outra mulher foi presa e duas vítimas, incluindo uma criança de três anos, foram identificadas.
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