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Petrobras demite diretor em meio a pressão de Lula contra alta do gás de cozinha

April 7, 2026
Jornal de Brasília
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NICOLA PAMPLONZRIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) O conselho de administração da Petrobras demitiu nesta segunda-feira (6) o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Cláudio Schlosser, que era responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis. A demissão ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reverter um leilão de venda de gás de cozinha realizado na semana passada, que culminou em ágios de até 117 sobre o preço normal do produto nas refinarias da estatal.

Procurada, a Petrobras não quis comentar o motivo da decisão. Em nota, disse apenas que seu conselho aprovou o encerramento antecipado do mandato de Schlosser. Ele será substituído pela atual diretora de Transição Energética, Angélica Laureano. Schlosser entrou na Petrobras em 1987 e chegou à direção em 2023, ainda na gestão Jean Paul Prates --o primeiro presidente da estatal no terceiro mandato de Lula, que foi demitido em meio a disputas com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Foi um dos poucos diretores dessa época mantido na posição pela substituta de Prates, Magda Chambriard. Tinha como atribuição principal encontrar mercados para a produção de petróleo e combustíveis da estatal. A formação de preços está dentro dessa atribuição. Na semana retrasada, à espera de uma subvenção federal para minimizar impactos da guerra no Irã, a Petrobras havia suspendido a realização de um leilão para venda de volume equivalente a 11 do consumo mensal de GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha. A oferta foi retomada na semana passada e culminou com elevados ágios sobre o preço normal, irritando o presidente Lula. Em entrevista na quinta (2), ele classificou o leilão como bandidagem e disse que sua realização desrespeitou orientação do governo e da direção da Petrobras. Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra, afirmou o presidente da República. Logo depois, o MME (Ministério de Minas e Energia) e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) se manifestaram contra o leilão. O primeiro foi à Senacon (Secretaria de Defesa do Consumidor) e a segunda anunciou fiscalização sobre a Petrobras. Naquele dia, a Folha apurou que a cúpula da Petrobras já estudava cancelar a oferta. Internamente, o discurso da cúpula da empresa reforçava o argumento de Lula: o leilão teria sido feito à revelia da direção. Nesta segunda, o governo anunciou uma subvenção de R 850 por tonelada de GLP importado. O mercado, porém, não sabe como proceder, já que o gás vendido nos leilões foi entregue ao mercado a preços superiores. As distribuidoras já repassaram o aumento aos revendedores e esses valores não irão voltar ao patamar anterior, disse José Luiz Rocha, presidente da associação de revendedores de gás de cozinha. A entidade pede aumento nos valores do programa Gás do Povo, que garante botijões de graça para 15 milhões de famílias, para acomodar os repasses. Caso contrário, diz Rocha, revendedores começarão a se descredenciar do programa, que é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula.

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