Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA, diz Masoud Pezeshkian
April 1, 2026
Agência Brasil
Em carta destinada ao povo dos Estados Unidos da América e aqueles que continuam a buscar a verdade, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que povo do país persa não nutre inimizade contra outras nações, incluindo o povo da América, da Europa ou de países vizinhos. O longo texto, em inglês, foi publicado nesta quarta-feira (1º), em uma postagem na rede social X.
O líder iraniano citou ter sofrido repetidas intervenções estrangeiras ao longo da história e disse buscar combater o que chamou de enxurrada de distorções e narrativas fabricadas. Notícias relacionadas:Teerã desmente Trump e nega ter pedido cessar-fogo.Justiça argentina barra trechos da reforma trabalhista de Milei.Irã: França e Itália se unem à Espanha contra ações dos EUA e Israel.Os iranianos sempre traçaram uma distinção clara entre governos e os povos que eles governam. Este é um princípio profundamente enraizado na cultura iraniana e na consciência coletiva — não uma posição política passageira, diz Pezeshkian. Bases militares dos EUA O texto destaca que que Irã é uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana e que, apesar das vantagens históricas e geográficas, o país nunca escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação. Dentro desse mesmo quadro, os Estados Unidos concentraram o maior número de suas forças, bases e capacidades militares ao redor do Irã — um país que, ao menos desde a fundação dos Estados Unidos, nunca iniciou uma guerra. Agressões americanas recentes lançadas a partir dessas mesmas bases demonstraram o quão ameaçadora essa presença militar realmente é. Naturalmente, nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas, enfatizou O que o Irã fez — e continua a fazer — é uma resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão, prossegue o presidente iraniano. Mais adiante, no texto, Masoud Pezeshkian pondera que as relações entre o Irã e os EUA nem sempre foram hostis, mas que acabaram se deteriorando quando os norte-americanos articularam um golpe de Estado para derrubar o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, no que ficou conhecida como Operação Ajax, com apoio do Reino Unido. O golpe ocorreu depois do governo iraniano da época decidir nacionalizar os recursos petrolíferos do país. Esse golpe desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA. Essa desconfiança se aprofundou ainda mais com o apoio americano ao regime do xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta dos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna e, por fim, agressões militares não provocadas — duas vezes, inclusive em meio a negociações — contra o Irã, continua a carta do presidente persa. Impacto destrutivo Pezeshkian observou que todas essas pressões fracassaram em enfraquecer o Irã e argumentou que o país se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica. As taxas de alfabetização triplicaram; o ensino superior se expandiu de forma significativa; avanços expressivos foram alcançados em tecnologia moderna; os serviços de saúde melhoraram; e a infraestrutura se desenvolveu em um ritmo e escala incomparáveis ao passado. Essas são realidades mensuráveis e observáveis, que existem independentemente de narrativas fabricadas, pontuou. O presidente ressalta que, Ao mesmo tempo, o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão sobre a vida do resiliente povo iraniano não deve ser subestimado. A continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente a vida, as atitudes e as perspectivas das pessoas. Isso reflete uma verdade humana fundamental: quando a guerra inflige danos irreparáveis a vidas, lares, cidades e futuros, as pessoas não permanecem indiferentes aos responsáveis, afirmou o líder iraniano. Masoud Pezeshkian ainda pôs em dúvida se os interesses do povo norte-americano estão sendo realmente atendidos por essa guerra. Havia alguma ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento? O massacre de crianças inocentes, a destruição de instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer, ou vangloriar-se de bombardear um país 'de volta à idade da pedra' serve a algum propósito além de prejudicar ainda mais a posição global dos Estados Unidos?, questionou. Representante de Israel O presidente do Irã afirmou também que o país buscou negociações e cumpriu todos os compromissos. A decisão de se retirar desse acordo, escalar rumo ao confronto e lançar dois atos de agressão em meio às negociações foram escolhas destrutivas feitas pelo governo dos EUA — escolhas que serviram às ilusões de um agressor estrangeiro. Atacar a infraestrutura vital do Irã, incluindo instalações energéticas e industriais, atinge diretamente o povo iraniano, reforçou Pezeshkian. Ele questionou se os EUA não estão sendo manipulados por Israel na promoção deste conflito Não é verdade que Israel, ao fabricar uma ameaça iraniana, busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos? Não é evidente que Israel agora pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano — deslocando o ônus de suas ilusões sobre o Irã, a região e os próprios Estados Unidos, em busca de interesses ilegítimos?, indagou. Convido vocês a olhar além da máquina de desinformação — parte integrante dessa agressão — e, em vez disso, conversar com aqueles que visitaram o Irã. Observem os muitos imigrantes iranianos bem-sucedidos — formados no Irã — que hoje lecionam e realizam pesquisas nas universidades mais prestigiadas do mundo, ou contribuem para as empresas de tecnologia mais avançadas no Ocidente. Essas realidades correspondem às distorções que lhes são apresentadas sobre o Irã e seu povo?, concluiu Masoud Pezeshkian. Um mês de guerra Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, ainda sem perspectiva concreta de um acordo que ponha fim ao conflito. Autoridades importantes do país persa estão entre os mortos, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei. O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota controlada pelo Irã por onde circulam cerca de 20 dos carregamentos de petróleo no mercado internacional. Como consequência, o preço no barril já aumentou cerca de 50. Pesquisadores já apontam riscos ambientais e climáticos associados ao conflito. Ainda nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação para tratar sobre a guerra. A mensagem, ao vivo, deve ir ao a partir das 22h (horário de Brasília).
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