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Ibovespa tem leve alta, perto dos 188 mil pontos, com expectativa para Trump

April 1, 2026
Jornal de Brasília
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O Ibovespa buscou subir de casa neste começo de abril e de segundo trimestre, ensaiando retomar os 188 mil pontos ou mesmo os 189 mil no melhor momento da sessão. Nesta quarta-feira, 1º de abril, oscilou dos 187.255,65 até os 189.130,90 pontos, tendo saído de abertura aos 187.462,68 pontos Ao fim, marcava 187.952,91 pontos, em alta muito suavizada a 0,26, com giro financeiro a R 36,7 bilhões.

A expectativa de que um cessar-fogo no Oriente Médio de fato esteja mais próximo também estimulou o apetite por risco em Nova York, onde os ganhos na sessão chegaram a 1,16 (Nasdaq) no fechamento, apesar de terem sido moderados, também, rumo ao fim da tarde. Em relatório, o Goldman Sachs observa que, entre os emergentes, países como Brasil, África do Sul e Coreia do Sul parecem melhor posicionados para cenários de recuperação do que os do Sul da Ásia. Brasil se destaca como um relativo beneficiário por ser um exportador líquido de petróleo, e aguentou melhor esse período devido aos ganhos do setor de energia, observa o banco Mesmo em um cenário de distensão geopolítica, os segmentos domésticos sensíveis a juros, muito depreciados desde o início da guerra, podem se recuperar à medida que mais cortes nas taxas se materializarem, acrescenta o Goldman Sachs sobre Brasil. Recentemente, o banco rebaixou o viés para países do Sul e Sudeste Asiático, como Índia e Filipinas, que tendem a se recuperar menos, considerando betas mais baixos e vulnerabilidades maiores a preços de energia mais altos. Na B3, à exceção de Petrobras (ON -3,67, PN -2,67), que acompanhou o ajuste do petróleo na sessão, as demais blue chips operaram em alta, com destaque para o setor financeiro, tendo Banco do Brasil (ON +2,74) à frente. Principal ação do Ibovespa, Vale ON subiu 0,63. Na ponta ganhadora do índice, Cyrela (PN +4,74, ON +4,39), Embraer (+4,74), Cury (+4,32) e Gerdau (+3,79). No lado oposto, além de Petrobras, destaque para MBRF (-3,93), Braskem (-3,72) e Brava (-3,65). Entre as empresas mais favorecidas, estiveram as de segmentos sensíveis a juros, como as do imobiliário (além de Cyrela e Cury, Allos +2,11), siderúrgicas (além de Gerdau, CSN +3,00), e as do setor financeiro (além de BB, destaque para Santander Unit +1,83), bem como outras empresas cíclicas como Localiza (ON +1,64, PN +0,77), que se alinharam ao otimismo quanto a possível fim da guerra e a continuidade da queda da Selic, observa Bruno Perri, economista-chefe, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos. Eventual fim do conflito tende a retirar um dos principais vetores de incerteza global: o risco geopolítico sobre energia e fluxos financeiros, diz Paulo Silva, co-fundador da consultoria Advisory 360. A retirada desse prêmio de risco deve gerar um movimento relativamente rápido de reprecificação, acrescenta Silva, mencionando em especial as moedas de emergentes, particularmente penalizadas no período de maior aversão a risco com a busca por dólar como ativo de proteção e liquidez. Por sua vez, as cotações do petróleo dependem da normalização das rotas logísticas e da oferta global, o que passa pela reabertura ainda que gradual da passagem de navios, independentemente de bandeira, pelo Estreito de Ormuz. Nesta quarta, os contratos do Brent para junho fecharam em baixa de 2,70, a US 101,16 por barril, em Londres. Em Nova York, o WTI, referência dos EUA, cedeu 1,24, a US 100,12 por barril, nos contratos para maio. O principal vetor do dia é o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para as 22h (de Brasília) A expectativa era de que seria anunciado um acordo para o fim das hostilidades com o Irã, o que arrefeceu a aversão ao risco global em boa parte da sessão, diz Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Advisors. Contudo, parte do excesso de entusiasmo foi contido, no meio da tarde, com o relato da Bloomberg, citando uma fonte da Casa Branca, de que Trump, no aguardado pronunciamento do período da noite, deve reiterar o cronograma de duas a três semanas para que as forças americanas encerrem a guerra. De acordo com relato do The New York Times, o Pentágono está dobrando a frota de aviões de ataque A-10 no Oriente Médio, que podem apoiar tropas terrestres em avanço, mesmo com o presidente Trump afirmando que deseja encerrar a guerra com o Irã em duas a três semanas. A Força Aérea está enviando 18 A-10s para se juntar a cerca de uma dúzia já na região, usados por comandantes dos EUA para atacar barcos iranianos e milícias apoiadas no Iraque, disseram fontes. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o futuro do Estreito de Ormuz será definido por Irã e Omã, ao indicar que a via marítima está nas águas internas dos dois países e que eventuais arranjos após a guerra são uma questão relacionada ao Irã e a Omã. Os comentários vieram após reiteradas ameaças dos EUA nos últimos dias de tomada do Estreito de Ormuz, com Donald Trump chegando a chamar o local de Estreito Trump. Dólar O dólar iniciou abril em queda firme no mercado local, alinhado ao comportamento global da moeda norte-americana, e fechou no menor nível desde fins de fevereiro, antes da eclosão da guerra no Irã. Novos sinais de que os Estados Unidos buscam abreviar o conflito no Oriente Médio abriram espaço para continuidade do movimento de baixa do petróleo e de recuperação dos ativos de risco observado na terça-feira, última sessão de março. Pela manhã nesta quarta-feira, a divisa chegou a romper o piso de R 5,15 e registrou mínima de R 5,1481, mas moderou o ritmo de queda ao longo da tarde em sintonia com o exterior. Investidores ajustaram posições na segunda etapa de negócios à espera que Donald Trump reitere em pronunciamento à noite (22 horas, horário de Brasília) a mensagem de que a guerra está perto do fim. No fim da sessão, o dólar à vista recuava 0,42, a R 5,1566 - menor valor de fechamento desde 27 de fevereiro (R 5,1340), véspera dos ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã. Com o tombo na terça e na quarta-feira, a moeda norte-americana já acumula desvalorização de 1,62 na semana. No ano, o dólar cai 6,06 em relação ao real, que apresenta o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, incluindo moedas fortes e emergentes. O mercado está comprando a ideia de que a guerra pode terminar em breve com as últimas declarações de Trump, o que trouxe uma recuperação dos ativos de risco, beneficiando o real, afirma o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, para quem há certo exagero no otimismo dos investidores, dado que Trump exibe um comportamento errático e houve aumento de tropas e aeronaves americanas no Oriente Médio. A arrancada dos ativos de risco pela manhã se deu na esteira de nova declaração de Trump de que a guerra no Irã pode terminar em duas ou três semanas - prazo para que os EUA atinjam seus objetivos de impedir o desenvolvimento de armas atômicas e a fabricação de mísseis balísticos pelo Irã. Pela manhã, o republicano disse que Teerã solicitou um acordo de cessar-fogo, mas que os EUA condicionaram qualquer entendimento à reabertura do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã negou ter pedido um cessar-fogo e rejeitou a possibilidade de uma reabertura de Ormuz nas condições sugeridas pelos EUA. Os preços do petróleo recuaram pelo segundo dia consecutivo, mas de forma mais modesta, mantendo-se acima da marca de US 100 o barril. O contrato do WTI para maio fechou em baixa de 1,24 (US 1,26), a US 100,12 o barril. Já o Brent para junho - referência para o mercado interno - caiu 2,70, a US 101,16 o barril. Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em baixa ao longo do dia e recuava cerca de 0,40 no fim da tarde, ao redor dos 99,600 pontos, após mínima aos 99,298 pontos. Entre as moedas emergentes, destaque para os ganhos de mais de 1 do peso colombiano e do rublo russo frente ao dólar. Para Viotto, da EQI, caso o conflito no Oriente Médio seja de fato encerrado nas próximas semanas, o dólar tende a recuar rapidamente e pode até romper o piso de R 5,00. Além da retomada do apetite de investidores estrangeiros por ativos emergentes, o real pode se beneficiar de sinais reiterados de que a oposição tem chances de vencer a corrida presidencial. O mercado vê a vitória da oposição como algo favorável para os ativos domésticos, por conta da questão fiscal. Se o ambiente lá fora realmente melhorar, eu imagino que o dólar tende a ceder bastante no curto prazo, afirma Viotto, que ressalta os resultados das pesquisas eleitorais recentes, que mostraram empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno. À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total foi positivo em US 1,597 bilhão na semana passada (23 a 27 de março), sustentado pelo comércio exterior (US 1,495 bilhão). Houve ainda entrada líquida de US 101 milhões pelo canal financeiro, que reúne investimentos em carteira. Apesar do bom resultado na semana passada, o saldo total em março foi negativo em US 3,127 bilhões, em razão de saídas líquidas de US 9,788 bilhões pelo canal financeiro, reflexo do retraimento dos investidores estrangeiros com a guerra no Oriente Médio. No ano, o fluxo total ainda é positivo, em US 7,329 bilhões. Juros A perspectiva de que o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã chegue ao fim em um prazo próximo, mesmo sem novidades relevantes sobre um possível desfecho, seguiu ditando a movimentação dos juros futuros no pregão desta quarta-feira, 1 As taxas permaneceram em queda moderada ao longo do dia, na ausência de gatilhos adicionais vindos do cenário externo para dar novo impulso ao otimismo dos agentes. Depois de o presidente Donald Trump ter afirmado na noite de terça que os EUA podem fechar um acordo com o regime iraniano dentro de duas ou três semanas, o petróleo chegou a ser negociado a menos de US 100 na sessão. No fechamento, o barril do Brent para junho recuou 2,7, a US 101,16. O mercado aguarda pronunciamento de Trump sobre o conflito, previsto para as 22h desta quarta-feira, 1. De acordo com a Bloomberg, o republicano deve reiterar o cronograma de menos de um mês para que as forças americanas encerrem a guerra. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,069 no ajuste anterior para 14,035. O DI para janeiro de 2029 caiu a 13,675, vindo de 13,72 no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,837 no ajuste de terça-feira para 13,815. Economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta aponta que os ativos domésticos continuam sendo pautados pela condição externa, e que um cenário positivo, que considera que a guerra terminará em breve, ainda foi a narrativa dominante na sessão desta quarta, mas com uma certa acomodação em relação a terça. As sinalizações de Trump até então estavam sendo vistas com ceticismo porque eram refutadas em seguida pelo Irã, mas houve uma mudança nas últimas 24 horas, o que se refletiu positivamente nos preços dos ativos, diz Argenta. Houve conversas informais entre os dois países a entrada de outras nações neste tabuleiro. Então, apesar da intensificação do conflito no curto prazo, conversas diplomáticas retomam a ideia no mercado de resolução dentro de um horizonte não tão longo, comentou. Com a expectativa de que o conflito termine em pouco tempo, o foco voltou a recair sobre o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz, por onde escoa 20 do petróleo mundial. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse nesta tarde que o futuro da rota estratégica será definido por Irã e Omã, uma vez que a via marítima está nas águas internas dos dois países. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, apelaram à ONU para que a organização autorize uma série de medidas, incluindo o uso da força, para desbloquear o estreito, enquanto os países do Golfo Pérsico pressionam o Irã para restabelecer a livre passagem ao longo do corredor. Em relatório divulgado nesta quarta, o Goldman Sachs prevê que o fluxo de óleo pelo estreito continuará baixo por seis semanas, embora a incerteza em torno da duração do conflito e da interrupção associada ao fornecimento de energia permaneça alta, em meio a oscilações contínuas entre manchetes de desescalada e escalada. Mesmo que haja uma rápida desobstrução do estreito e queda maior nas cotações do petróleo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central terá em mãos dados muito ruins para tomar sua decisão de juros na reunião de abril, diz Argenta, da CM. O choque não é mais um do tipo que deve ser expurgado rapidamente na economia. Ele deixa ali algum impacto que pode reverberar de forma mais intensa na política monetária, avalia. Segundo cálculos de Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, a Selic precificada pela curva futura ao fim de 2026 estava em 13,79 no final desta tarde, praticamente igual ao fechamento de terça (13,81). Vale lembrar que, antes da eclosão da guerra, o mercado apostava em uma redução total de cerca de 3 pontos porcentuais da taxa no ano. Estadão Conteúdo.

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