Governador interino do RJ exonera aliados de Castro e nomeia ex-integrante da gestão Paes
March 31, 2026
Jornal de Brasília
ITALO NOGUEIRARIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) O desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, exonerou nesta terça-feira (31) dois aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL) e nomeou um ex-integrante da gestão Eduardo Paes (PSD) na prefeitura da capital fluminense. Um dos exonerados é o deputado estadual Jair Bittencourt (PL), que havia sido nomeado secretário de Governo por Castro no último dia 23, data em que o ex-governador renunciou.
O agora ex-secretário vinha atuando em favor do PL nas articulações pelo comando da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Em suas redes sociais, ele afirmou que pediu a exoneração em respeito ao governador em exercício Ricardo Couto. Quando eu fui convidado para assumir a secretaria, nós achávamos que todo esse processo que está acontecendo ia ocorrer em uma semana, talvez em dez dias. E hoje nós não temos data para que isso acabe. Também perdeu o cargo de assessor da Casa Civil o policial civil Fernando Hakme. Ele era uma das maiores influências sobre o ex-governador para o setor de segurança pública. A única nomeação assinada por Couto foi do delegado Roberto Lisandro Leão, da Polícia Civil. Desde o ano passado ele vinha ocupando cargos na gestão Paes, entre eles a Corregedoria-Geral da Força Municipal, principal bandeira do ex-prefeito na área de segurança. Leão assumiu o Gabinete de Segurança Institucional no lugar do também delegado Edu Guimarães de Souza. As exonerações de Bittencourt e Souza, assim como a nomeação de Leão, foram os primeiros atos assinados pelo governador interino. Ele vinha evitando realizar mudanças na estrutura do governo, defendendo atuar como uma gestão de transição. O cenário começou a se alterar quando o ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a permanência de Couto no Palácio Guanabara até a realização de novas eleições. O Supremo ainda define se o governador-tampão, que comandará o estado até o fim de 2026, será escolhido pela Alerj ou no voto popular. Aliados de Castro veem na decisão uma espécie de intervenção do STF sobre o Rio de Janeiro. A determinação subverte a linha sucessória prevista na Constituição estadual, que será parcialmente recomposta nos próximos dias, quando a Assembleia deve escolher seu novo presidente. Pela legislação, o novo chefe do Legislativo fluminense assumiria automaticamente o governo até a escolha do governador-tampão. À tarde, em discurso na Alerj, Bittencourt, exonerado da Secretaria de Governo, disse defender que o tempo de Couto no governo seja o menor possível. Ele vai precisar de uma base na Assembleia. Ele vai viver momentos que ele não vive no Tribunal de Justiça. A opinião minha é que esse período deveria ser breve. É muito perigoso ter um membro do Poder Judiciário governando por muito tempo, disse o deputado. A eleição do novo presidente da Alerj ainda não foi marcada. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) realizou nesta terça a retotalização dos votos determinada em razão da cassação de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Não houve alteração na distribuição de cadeiras no Legislativa. O deputado Luiz Paulo (PSD) afirmou que ficou acordado com o deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Alerj, que será aguardado todos os prazos do TRE e a notificação oficial sobre a retotalização. Desta forma, a eleição para o comando da Casa ocorrerá após o dia 8, quando o STF decidirá sobre a permanência de Couto e como será escolhido o governador-tampão. De acordo com o TRE, a retotalização só será homologada no dia 14, quando a Alerj será oficialmente notificada do resultado. Em nota, a Alerj declarou que aguarda a conclusão do rito para retotalização de votos pelo TRE para empossar o deputado indicado como titular da vaga, em cumprimento à decisão judicial. A decisão será encaminhada à Procuradoria-Geral da Casa, para emitir parecer quanto aos demais procedimentos judiciais e regimentais, em defesa das prerrogativas do Poder Legislativo. Ao se confirmar a decisão do TRE, não haverá qualquer mudança na composição da Casa, diz a nota.
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