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FIA fecha brecha e veta “truque”
April 19, 2026
Posted 4 hours ago by
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) oficializou a proibição, a partir do GP de Miami de Fórmula 1, em 3 de maio, de uma manobra de gerenciamento de energia explorada pela Mercedes e Red Bull Racing durante a classificação. As equipes vinham utilizando um expediente para liberar potência máxima no trecho final da volta, em vez de seguir a redução progressiva da entrega energética.
Pelo regulamento, há um limite de descarga — normalmente restringindo a potência a cerca de 50 kW na parte final da volta. Em situações de emergência técnica, porém, o MGU-K — componente elétrico da unidade de potência — pode ser desativado, permitindo à bateria operar em sua capacidade máxima. Foi essa brecha que passou a ser explorada nas primeiras etapas. Diferentemente do funcionamento padrão, no qual a potência elétrica diminui gradualmente em intervalos de aproximadamente um segundo para preservar os componentes, as equipes estariam promovendo um corte abrupto da carga e liberando o máximo da energia disponível até o último instante da volta lançada. Agora, a FIA esclareceu que o desligamento do MGU-K só será permitido em casos de falha genuína. A entidade comunicou formalmente as equipes de que passará a monitorar com rigor os dados de telemetria, a fim de impedir a repetição da prática nas próximas etapas. Episódios recentes ampliaram a atenção sobre o tema: Kimi Antonelli, Max Verstappen e Alexander Albon — este em uma Williams Racing equipada com motor Mercedes — registraram perdas súbitas de potência durante os treinos livres no Japão, em meio a testes relacionados ao sistema. Meses antes, a Ferrari já havia alertado a entidade sobre o artifício. Segundo relatos, os fabricantes encontraram uma forma de liberar instantaneamente até cerca de 350 kW de potência elétrica ao acionar um modo originalmente previsto para contingências. Na prática, o recurso era utilizado pouco antes da linha de chegada para esgotar a bateria, gerando ganhos marginais — na casa dos milésimos por volta. Diante da eficácia limitada, a própria Mercedes já havia abandonado a estratégia no Japão. Até então, o procedimento não era explicitamente ilegal, situando-se em uma típica zona cinzenta do regulamento. Com a nova diretriz, a FIA determinou por escrito que a função “continuous offset” só poderá ser utilizada exclusivamente em situações de emergência. Em resposta, a Mercedes sustentou que operava dentro das regras, com testes previamente aprovados pela entidade para validação de sua unidade de potência. Ainda assim, desativou voluntariamente o algoritmo antes mesmo da proibição formal, citando o ganho irrisório e preocupações de segurança levantadas por concorrentes. Apesar do veto, a decisão abre novas interpretações. Em análise no podcast do portal The Race, o jornalista Scott Mitchell-Malm destacou que a definição de “emergência” pode permanecer sujeita a leituras distintas. “Se passar a fazer sentido usar dessa forma, bastará que um fabricante alegue uma emergência em uma volta de classificação — e, de repente, ela deixará de existir”, observou. Nesse contexto, a FIA assume papel central: caberá à entidade monitorar os dados em tempo real e julgar, caso a caso, a legitimidade de cada acionamento.
Jornal de Brasília
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