Cesta de produtos de Páscoa cai 5,73% este ano
April 1, 2026
Agência Brasil
A mesa de Páscoa vai pesar menos no bolso do brasileiro pelo segundo ano seguido. Uma cesta de produtos alimentícios, que inclui os tradicionais chocolates e o bacalhau, vai custar 5,73 a menos do que há 12 meses. Em 2025, o recuo nos preços foi de 6,77. A constatação é de levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado às vésperas do domingo de Páscoa (5).
Notícias relacionadas:Pesquisa aponta que 90 dos consumidores comprarão chocolate na Páscoa.Feriado de Páscoa: bancos não abrirão na sexta-feira (3).Páscoa: entenda a transição de ovos decorados para ovos de chocolate.Para efeito de comparação, a inflação geral do consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Mensal (IPC-10) da FGV, marcou alta de 3,18 no período de abril de 2025 a março de 2026. No entanto, olhando de forma isolada, alguns produtos sobem mais que a inflação geral: Inflação geral: 3,18 Bombons e chocolates: 16,71 Bacalhau: 9,9 Sardinha em conserva: 8,84 Atum: 6,41 Entre os itens que ajudaram a inflação da Páscoa ficar negativa figuram: Arroz: -26,11 Ovos de galinha: -14,56 Azeite: -23,20 Os pescados frescos subiram 1,74; e os vinhos, 0,73. Nas últimas quatro Páscoa, duas foram de inflação positiva e duas de deflação (queda média de preços), quando comparadas ao ano anterior. 2026: -5,73 2025: -6,77 2024: 16,73 2023: 13,16 De acordo com o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a variação acumulada dos preços de Páscoa nos últimos quatro anos foi de 15,37. Essa alta ficou abaixo da inflação geral ao consumidor, calculada pelo IPC-10, que marcou 16,53 de abril de 2022 a março de 2026. Nesse período, bombons e chocolates ficaram 49,26 mais caros. O bacalhau subiu 31,21; o atum, 38,98, e o azeite, 34,74. Viram o preço cair a batata inglesa (-16,02) e a cebola (-15,44). >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Industrializados Matheus Dias destaca que os repasses de quedas provenientes de melhoras na produção agrícola são mais complexos e apresentam defasagens mais longas em produtos industrializados. Ele exemplifica com o chocolate. Mesmo com o cacau, principal matéria-prima, registrando quedas no mercado internacional desde outubro de 2025, chegando a recuar cerca de 60 em relação aos últimos 12 meses, os preços dos chocolates ao consumidor seguiram em alta de 16,71 no período. “Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, explica. Concentração Na terça-feira (31), ao divulgar um estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, o economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que um dos fatores de alta consistente nos preços é a concentração, que tende a diminuir a concorrência entre empresas. No levantamento, ele aponta que cinco marcas de bombons e chocolates de três empresas alcançam 83 do mercado. Indústria Procurada pela Agência Brasil para fazer comentários sobre o preço dos chocolates, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) informou que o valor não é determinado apenas pelo cacau. “Outros insumos como leite, açúcar, frete (uso de caminhões frigoríficos, já que se trata de carga perecível) e variação do dólar devem ser levados em conta”, ressalta a entidade. A Abicab explica ainda que cada empresa tem a própria política de preço e que a indústria acompanha oscilações naturais do mercado e cria alternativas de venda de produtos “para todos os paladares e adaptadas às várias faixas de consumo”. Este ano, de acordo com a associação, foram colocados 800 itens no mercado, com 134 lançamentos, contra 611 ano passado. Os representantes da indústria detalham que, em 2024, o fenômeno El Niño (aquecimento anormal das águas da porção leste da região equatorial do Oceano Pacífico) devastou plantações. Os países africanos Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60 da produção mundial de cacau, foram atingidos, e o mercado ficou com um déficit de 700 mil toneladas, segundo a Abicab. A falta do produto levou o preço da tonelada, negociada na Bolsa de Nova York, a subir quatro vezes, para US 11 mil - equivalente hoje a cerca de R 56,7 mil. De acordo com a Abicab, “apenas 10 desse impacto se refletiu no preço final”. Hoje a cotação beira US 3,3 mil. Empregos A indústria de chocolates ressalta que “a expectativa para esta Páscoa é positiva porque vivemos estabilidade econômica, com a menor taxa histórica de desemprego”. Na estimativa da Abicab, o número de empregos temporários é de 14,6 mil, 50 a mais que em 2025, frisando que as contratações costumam se iniciar em agosto do ano anterior. Desses, 20 acabam se tornando fixos, com carteira assinada, de acordo com a associação. Uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva revelou que 90 dos consumidores pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa neste ano.
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