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Associação faz campanha pelo direito à morte assistida com vídeo que aborda a eutanásia animal
April 15, 2026
Posted 2 hours ago by
IVAN FINOTTISÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) Um cachorro doente, em sofrimento, sem chance de cura. A tutora decide interromper a dor. Anos depois, é ela quem está em uma situação semelhante mas, no Brasil, a pessoa não pode fazer a mesma escolha. As cenas compõem Cachorrinho, filme publicitário que marca a primeira campanha da associação Eu Decido e que tenta levar para o debate público um tema ainda evitado no país: o direito de decidir sobre a própria morte.
A força do argumento está na decisão que parece natural no caso de um animal, mas que se torna impossível quando se trata de um ser humano. No Brasil, a chamada morte voluntária assistida não é permitida. Trata-se da situação em que uma pessoa decide encerrar a própria vida de forma assistida, com supervisão médica, para evitar um sofrimento considerado intolerável. A associação Eu Decido, criada em 2025, defende que a escolha sobre o fim da vida deve caber ao próprio indivíduo e busca ampliar a discussão no país. A Eu Decido acredita que cada pessoa é a única que pode decidir sobre seus cuidados de saúde e, em especial, sobre o fim da sua vida, afirma a presidente da entidade, a advogada Luciana Dadalto, especialista em bioética e em testamento vital documento que registra antecipadamente as decisões de uma pessoa sobre tratamentos médicos que deseja ou não receber caso não possa se expressar no futuro. A estratégia parte de um reconhecimento: esse não é um debate que se resolve rapidamente. Experiências internacionais mostram que discussões sobre o direito de morrer levam décadas antes de se consolidarem em leis. Segundo defensores da causa, é um processo que pode durar cerca de 30 anos, como ocorreu em 16 países, entre eles Portugal, Espanha, Holanda e Bélgica. Trata-se de um tempo necessário para que a sociedade assimile o tema, enfrente resistências morais, religiosas e médicas e, só então, avance juridicamente. Nesse contexto, o filme Cachorrinho funciona como um ponto de partida. A comparação do filme não é perfeita, uma vez que é a tutora que decide pelo cachorro, mas levanta uma reflexão importante: por que podemos escolher pelos nossos pets, mas não por nós mesmos?, diz Dadalto. A comparação do filme não é perfeita, uma vez que é a tutora que decide pelo cachorro, mas levanta uma reflexão importante: por que podemos escolher pelos nossos pets, mas não por nós mesmos?advogada e presidente da associação Eu Decido O debate costuma esbarrar em um tabu persistente. Segundo pesquisa de 2018 do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil, 73 dos brasileiros evitam falar sobre a morte. Em alguns casos, o silêncio chega ao ponto de virar superstição: cerca de 10 acreditam que falar sobre a morte pode atraí-la. Como consequência, esse afastamento ajuda a empurrar decisões importantes para o fim da vida muitas vezes quando já não há mais tempo, clareza ou autonomia para tomá-las. Hoje, o país reconhece dois caminhos possíveis diante de doenças graves. Um deles é a distanásia, em que a vida é prolongada ao máximo, mesmo com sofrimento. Outro é a ortotanásia, que permite recusar tratamentos e evitar intervenções que apenas estendam o processo de morrer. O que falta, para a Eu Decido, é uma terceira opção: a possibilidade de interromper a vida de forma assistida, por decisão do próprio paciente. Um exemplo disso é o caso de uma filósofa brasileira de 74 anos que viajou à Suíça após sofrer um AVC e decidiu encerrar a própria vida, que ilustram o tipo de situação que alimenta o debate. São pessoas que não necessariamente estão em estado terminal, mas que consideram sua condição incompatível com uma vida digna. Morrer com dignidade é um direito humano e um direito fundamental, devendo a pessoa ser a única responsável pela escolha do que é, para ela, uma vida digna. Entendemos boa morte como aquela com o máximo possível de autonomia e autodeterminação, diz a presidente.
Jornal de Brasília
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